Motorocker lança CD em show como se fazia antigamente
Por Fernando Souza Filho
Revista Rock Brigade (Matérias Online/2006

09 de outubro de 2006

Depois de um vôo turbulento de São Paulo para Curitiba, confesso que seria necessário um tremendo show para manter a noite em alto astral. Pois foi exatamente o que aconteceu em 7/10/2006, quando o Motorocker fez o show de lançamento de seu álbum Igreja Universal Do Reino Do Rock na casa Hellooch, na capital paranaense. E posso garantir ao caro leitor que presenciei não apenas um show com S maiúsculo, como também tive o prazer de estar em uma das melhores casas de espetáculos do país. E isso não é nenhum exagero e também não estou recebendo nenhum "por fora" pelos elogios, é apenas a constatação pura e simples de que o profisisonalismo pode levar a cena rockeira para patamares muito, muito superiores!

O Hellooch foi inaugurado em setembro e se trata do antigo Moinho São Roque, reformado desde o chão (o piso foi inteiramente refeito) até cada fio elétrico da estrutura. O resultado é absolutamente surpreendente, pois a casa tem capacidade para 2.500 pessoas bem acomodadas, som espetacular, estrutura de Primeiro Mundo, camarotes confortáveis e bem localizados, funcionários uniformizados e bem informados, segurança firme, mas discreta e educada. Há dois telões e uma TV de plasma imensa, bem localizados para você não perder nenhum lance do que acontece no palco. Com toda essa estrutura fantástica, basta apenas uma boa banda para tornar a noite perfeita. E foi o que aconteceu.

O Motorocker é o tipo de grupo que resgata o que talvez seja a essência mais preciosa do rock'n'roll: a diversão. Por isso, tenho certeza que o leitor ficará descrente se eu disser que a banda promoveu uma apresentação de mais de 3 horas de duração, mas deixou a sensação de que o show durou apenas cinco minutos. Não acredita, né? Pois vá a um show do Motorocker para entender o que digo, pois a galera pulou, cantou e dançou até quase 4h da madrugada, quando eles finalmente acabaram a apresentação após incontáveis bis. Os caras GOSTAM de estar no palco e isso fica evidente no rosto de cada músico - muito diferente, por exemplo, das bandas que vêem a música exclusivamente como um trabalho e tocam olhando no relógio, torcendo para a hora passar e o show acabar logo.

Outra característica que me deixou particularmente impressionado no show do Motorocker foram os covers. Mais da metade da apresentação é feita de covers de clássicos do rock, porém, o público reagiu da mesma maneira tanto nos covers quanto nas músicas próprias do excelente CD Igreja Universal Do Reino Do Rock, lançado recentemente. A galera cantava em uníssono tanto a faixa título do CD quanto megaclássicos do porte de Highway To Hell (AC/DC) ou Rock'n'Roll All Nite (Kiss). Foi de fato impressionante.

Fiz até um pequeno filminho na hora de Highway To Hell para você ter uma idéia do pique do show. Confira:
http://www2.rockbrigade.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2270&Itemid=37

Após 3 horas de música, você imagina que um cantor que berra à la Brian Johnson (AC/DC) vai estar com a garganta em frangalhos, afinal, nem o mais gritador dos vocalistas de metal melódico mantém a voz no pique após uma hora soltando a voz. É, mas isso não acontece com Marcellus Motorocker. Esse desgraçado continua berrando do mesmo jeito após 200 músicas e, não contente, ainda apimenta sua performance com pequenos detalhes curiosos, como torcer levemente a boca ao cantar Elvis Presley e elevar o microfone acima da cabeça ao executar Motörhead, exatamente como faziam os artistas originais.

Durante a performance, foi gravado um vídeo para a faixa título do CD e, mais uma vez, a estrutura montada para a captação das imagens foi espetacular, com grua e travelling na frente do palco. Além disso, a iluminação foi um espetáculo à parte, impressionava pela quantidade e pela qualidade, transformando o palco num verdadeiro inferno de cores. O repertório do Motorocker passou pelas músicas próprias do grupo, recebidas com entusiasmo ímpar pela platéia, além de clássicos do rock, como Motörhead, Ramones, Kiss, Black Sabbath e, obviamente, AC/DC, afinal, o grupo foi considerado recentemente o melhor cover da banda de Angus Young do mundo inteiro. Algumas músicas não estavam no repertório original e foram executadas de improviso apenas porque a platéia pediu, como foi o caso de Elvis Presley (Suspicious Mind) e Kiss (Rock'n'Roll All Nite).

Diante de tudo que foi dito aqui, não é nenhum exagero afirmar que o Motorocker realmente resgata aquele prazer de tocar por diversão, mas com muita, muita competência. Ouso até dizer que a banda faz um dos melhores shows de rock que já vi neste ano. Ou nos últimos 10 anos. Ou talvez da minha vida, considerando apenas bandas brasileiras. Quem achar que é exagero, que corra para assistir à próxima aparição ao vivo do conjunto.


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